UNESCO/UIA Carta para a Educação dos Arquitetos

Texto original em inglês:
http://www.uia-architectes.org/sites/default/files/%20A%20Charter2011.pdf
tradução para o português: prof. arq. Luiz Augusto Contier (veja comentários sobre a tradução ao final)
Versão pdf: http://www.abea-arq.org.br/wp-content/uploads/2013/03/Carta-UNESCO-UIA-2011.pdf 

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UNESCO/UIA CARTA PARA EDUCAÇÃO DOS ARQUITETOS

versão 2011.

Introdução

Nós, arquitetos, envolvidos com a evolução da qualidade do ambiente construído em um mundo em rápida mudança, acreditamos que tudo que tenha um impacto sobre a maneira em que o ambiente construído é planejado, projetado, fabricado, usado, equipado, configurado e mantido, pertence ao domínio da arquitetura. Nós nos sentimos responsáveis pela melhoria da formação teórica e prática dos futuros arquitetos de forma a lhes permitir responder às expectativas das sociedades do século XXI, em todo o mundo, sobre assentamentos humanos sustentáveis em cada contexto cultural.

Estamos conscientes do fato de que, apesar do número impressionante de contribuições excepcionais, por vezes, espetaculares da nossa profissão, o percentual do ambiente construído atualmente, que foi projetado e construído por arquitetos e urbanistas, é surpreendentemente baixo. Há ainda oportunidades para desenvolver novas tarefas para a profissão, na medida em que os arquitetos se conscientizarem de necessidades identificadas de crescimento e oportunidades oferecidas em áreas que não têm sido, até agora, uma preocupação importante para a nossa profissão. Portanto, é necessária uma maior diversidade no exercício da profissão e, como consequência, na formação teórica e prática dos arquitetos. O objetivo fundamental da educação é formar o arquiteto como um “generalista”.

Isso se aplica particularmente para aqueles que trabalham no contexto dos países em desenvolvimento, onde os arquitetos podem aceitar o papel de “facilitador” ao invés de “provedor” e onde a profissão pode ainda enfrentar novos desafios. Não há dúvida de que a capacidade dos arquitetos para resolver problemas pode contribuir muito para tarefas relacionadas ao desenvolvimento comunitário([2]) programas autofinanciados, equipamentos educacionais, etc. e, assim, garantir uma contribuição significativa para a melhoria da qualidade de vida daqueles que não exercem seus plenos direitos de cidadãos e que não estão entre os clientes tradicionais dos arquitetos.

0. OBJETIVOS

Os objetivos desta carta são, em primeiro lugar, que ela seja usada para a criação de uma rede global de educação de arquitetos, no seio da qual, cada progresso individual possa ser compartilhado por todos e que ela aumente a compreensão de que a formação dos arquitetos é um dos desafios ambientais e profissionais mais significativos do mundo contemporâneo.

Nós, portanto, declaramos:

I. CONSIDERAÇÕES GERAIS

  1. Que os educadores devem preparar os arquitetos para desenvolver novas soluções para o presente e para o futuro, porque o novo tempo vai trazer com ele importantes e complexos desafios devido à degradação social e funcional em muitos assentamentos humanos. Estes desafios incluem urbanização global e um consequente esgotamento em ambientes já existentes, uma grave escassez de habitação, serviços urbanos e infraestrutura social, e a crescente exclusão de arquitetos em projetos relacionados com o ambiente construído.
  2. Que a arquitetura, a qualidade das construções e sua integração harmoniosa no seu ambiente circundante, o respeito pelas paisagens naturais e urbanas, bem como o patrimônio cultural coletivo e individual são questões de interesse público.
  3. Que é de interesse público, assegurar que os arquitetos sejam capazes de compreender as características regionais e traduzir as necessidades, expectativas e melhoramentos para a qualidade de vida dos indivíduos, grupos sociais, comunidades e assentamentos humanos.
  4. Que os métodos de formação e aprendizagem([3]) para os arquitetos sejam diversificados, de forma a desenvolver uma riqueza cultural e permitir a flexibilidade no desenvolvimento dos programas de ensino para atender às mudanças nas demandas e nos requisitos do cliente (incluindo métodos de entrega de projeto([4])). dos usuários, da profissão de arquiteto e da indústria da construção, mantendo-se atenção sobre as motivações políticas e financeiras por trás de tais mudanças.
  5. Que, condicionado ao reconhecimento da importância dos costumes e práticas, culturais e regionais e à necessidade de integrar essas variantes nos currículos, há um terreno comum entre os diferentes métodos de ensino usados e que, ao se estabelecer critérios([5]), se tornará possível a países, a escolas de arquitetura e organizações profissionais avaliarem e melhorarem a formação dos futuros arquitetos.
  6. Que a crescente mobilidade dos arquitetos entre os diferentes países requer um mútuo reconhecimento ou validação de diplomas, certificados e outras evidências de qualificação formal.
  7. Que o reconhecimento mútuo de diplomas, certificados ou outros títulos de qualificação formal para exercício profissional no campo da arquitetura devem ser baseados em critérios objetivos, assegurando que os titulares de tais qualificações receberam e continuam a manter formação([6]) com as características enunciadas nesta carta.
  8. Que a visão do mundo futuro, transmitida nas escolas de arquitetura, deve incluir as seguintes metas:
  • Uma qualidade de vida decente para todos os habitantes dos assentamentos humanos([7]).
  • Uma aplicação tecnológica que respeite as necessidades sociais, culturais e estéticas dos homens com um conhecimento do uso adequado dos materiais na arquitetura, bem como seus custos iniciais e de manutenção.
  • Um desenvolvimento ecologicamente equilibrado e sustentável do ambiente construído e natural, incluindo o aproveitamento racional dos recursos disponíveis.
  • Uma arquitetura que é valorizada como sendo de propriedade e de responsabilidade de todos.
  1. Que questões relativas à arquitetura e ao ambiente sejam introduzidas na formação geral ministrada no ensino fundamental e médio, porque a consciência antecipada do ambiente construído desde a mais tenra idade é importante para os futuros arquitetos, proprietários e usuários das construções.
  2. Que devem ser criados sistemas de educação continuada para os arquitetos, porque a educação em arquitetura nunca deve ser considerada como um processo concluído, mas como um processo que deve continuar ao longo da vida.
  3. Que a formação sobre o patrimônio arquitetônico é essencial para:
  • Compreensão do desenvolvimento sustentável([8]), contexto social e sentido espacial na concepção de um edifício, e
  • Transformar a mentalidade arquitetônica dos profissionais de forma que o método de criação seja uma parte de um processo cultural contínuo e harmonioso (cf. anexo X, do Relatório da UIA em formação para o património arquitetônico da UIA Comissão, educação, reflexão grupo n ° 7 sobre a formação em património, Turim 2008).
  1. Que a diversidade cultural, que é tão necessária para a humanidade como a biodiversidade é para a natureza, é a herança comum de toda a humanidade e deve ser reconhecida e entendida, para o benefício das gerações presentes e futuras. (Consulte a “UNESCO Declaration on Cultural Diversity” ([9])de Novembro de 2001).
  2. Que a formação em arquitetura desenvolve a capacidade nos alunos para conceber, projetar, entender e realizar o ato de construção, no contexto da prática da arquitetura que equilibra as tensões entre a emoção, a razão e a intuição dando forma física às necessidades da sociedade e do indivíduo.
  3. Que a arquitetura é uma disciplina que usa conhecimentos de ciências humanas, ciências sociais e naturais, tecnologia, ciências ambientais, artes e humanidades.
  4. Que a educação que conduz à qualificação formal e que permite a prática profissional no campo da arquitetura tem que ser garantida como do ensino superior, de nível universitário, com a arquitetura como assunto principal das matérias, e ser oferecida por universidades, escolas politécnicas e cursos superiores. Essa formação deve manter equilíbrio entre teoria e prática.
  5. Que a formação em arquitetura inclui os seguintes objetivos fundamentais:

II. OBJETIVOS DA FORMAÇÃO

3.1.      Competência para criar projetos de arquitetura que satisfaçam tanto às exigências estéticas quanto aos requisitos técnicos;

3.2.      Conhecimento adequado da história e das teorias da arquitetura assim como das artes, tecnologias e ciências humanas correlatas;

3.3.      Conhecimento das artes plásticas como um fator que pode influenciar a qualidade do projeto de arquitetura;

3.4.      Conhecimento adequado no que diz respeito ao urbanismo, planejamento urbano e as competências([10]) necessárias ao processo de planejamento;

3.5.      Compreensão([11]) das relações que existem entre as pessoas e espaços arquitetônicos e, entre estes e o seu ambiente (entorno) e, igualmente, a necessidade de harmonizar as criações arquitetônicas e os espaços que os cercam em função da escala e das necessidades humanas;

3.6.      Compreensão da profissão de arquiteto e de seu papel na sociedade, em especial no desenvolvimento de diretrizes que levam em conta fatores sociais;

3.7.      Compreensão dos métodos de investigação e preparação de diretrizes para a concepção de um projeto;

3.8.      Conhecimento([12]) de projeto estrutural, de construção e problemas de engenharia relacionados com o projeto de edifícios;

3.9.      Conhecimento adequado dos problemas dos materiais, tecnologias e função dos edifícios, de modo a proporcionar-lhes condições internas de conforto e proteção climática;

3.10.   Habilidade de projetar para atender aos requisitos dos usuários das edificações dentro dos limites decorrentes de orçamentos e exigências de normas de construção;

3.11.   Conhecimento adequado das indústrias, organizações, regulamentações e procedimentos envolvidos na transposição da concepção para a construção de edifícios bem como a integração dos planos na concepção geral.

3.12.   Consciência das responsabilidades face aos valores humanos, sociais, culturais, urbanos, arquitetônicos e ambientais, bem como ao patrimônio arquitetônico;

3.13.   Conhecimento adequado dos meios para alcançar um projeto ecologicamente responsável, e a conservação e a recuperação do meio ambiente;

3.14.   Desenvolvimento de competência criativa em técnicas construtivas, baseada em um conhecimento abrangente([13])das disciplinas e métodos construtivos relacionados à arquitetura;

3.15.   Conhecimento adequado de financiamento, gestão de projetos, controle de custos e métodos de contratação do projeto (project delivery)([14]);

3.16.   Formação([15]) em técnicas de pesquisa como parte integrante da educação em arquitetura, tanto para estudantes quanto professores.

  1. Que a formação do arquiteto envolve a aquisição das seguintes capacitações:

4.1.      CONCEPÇÃO([16])

  • Capacidade de ser criativo, inovar e assegurar a liderança da concepção.
  • Capacidade de reunir informações, identificar problemas, aplicar análise e julgamento crítico, bem como formular estratégias de ação.
  • Capacidade de pensar tridimensionalmente na busca de uma concepção.
  • Capacidade de conciliar fatores divergentes, integrar conhecimentos e usar essas competências na criação de uma solução de projeto.

4.2.      CONHECIMENTO

4.2.1.  Estudos artísticos e culturais

  • Capacidade de agir com pleno conhecimento dos precedentes históricos e culturais da arquitetura local e mundial.
  • Capacidade de agir com o conhecimento das artes plásticas, como uma influência na qualidade do projeto arquitetônico.
  • Compreensão das questões patrimoniais no ambiente construído.
  • Consciência das relações entre arquitetura e outras disciplinas relacionadas com a criatividade.

4.2.2.  Estudos sociais

  • Capacidade de agir com conhecimento da sociedade e trabalhar com os clientes e usuários que representam as necessidades da sociedade.
  • Capacidade de desenvolver diretrizes de projeto através de definição das necessidades sociais, de usuários e clientes; pesquisar e definir requisitos contextuais e funcionais para diversos tipos de ambientes construídos.
  • Compreensão do contexto social em que os ambientes construídos são criados, das exigências ergonômicas e espaciais e das questões de equidade e de acessibilidade.
  • Conhecimento dos códigos, regulamentos e normas relevantes para o planejamento, projeto, construção, salubridade, segurança e uso do ambiente construído.
  • Conhecimento em filosofia, política e ética relacionadas à arquitetura.

4.2.3.  Estudos Ambientais

  • Capacidade de agir com conhecimento dos sistemas naturais e dos ambientes construídos.
  • Compreensão de questões de conservação e manejo de resíduos.
  • Compreensão do ciclo de vida dos materiais, questões de sustentabilidade ecológica, impacto ambiental, projeto com vista ao uso reduzido de energia, bem como sistemas passivos e sua gestão.
  • Conhecimento da história e da prática do paisagismo, urbanismo, bem como planejamento em níveis regionais e nacionais e sua relação com a demografia e recursos locais e mundiais.
  • Consciência da gestão de sistemas naturais, tendo em conta os riscos de desastres naturais.

4.2.4.  Estudos Técnicos

  • Conhecimento técnico de estrutura, materiais e construção.
  • Capacidade de agir com competência técnica inovadora no uso de técnicas construtivas e a compreensão de sua evolução.
  • Compreensão dos processos de concepção técnica e a integração de estrutura, tecnologias construtivas e sistemas de instalações prediais em um todo funcionalmente eficaz.
  • Compreensão dos sistemas de instalações prediais, bem como dos sistemas de transporte, comunicação, manutenção e segurança.
  • Consciência do papel da documentação técnica e das especificações na realização do projeto, e nos processos de planejamento, custo e controle da construção.

4.2.5.  Estudos de projeto

  • Conhecimento da teoria e dos métodos de projeto.
  • Compreensão dos procedimentos e processos de projeto.
  • Conhecimento de precedentes de projeto e crítica de arquitetura.

4.2.6.  Estudos Profissionais

  • Capacidade de compreender as diferentes formas de contratação de serviços de arquitetura.
  • A compreensão dos mecanismos fundamentais da indústria de construção e de desenvolvimento([17]), tal como finanças, investimentos imobiliários e gerenciamento de recursos([18]).
  • Compreensão dos potenciais papéis dos arquitetos em áreas de atividades convencionais e novas e em um contexto internacional.
  • Compreensão de princípios de negócios e sua aplicação para o desenvolvimento de ambientes construídos, do gerenciamento de projetos e do funcionamento de uma consultoria profissional.
  • Conhecimento([19]) de ética profissional e dos códigos de conduta aplicados prática da arquitetura e das responsabilidades legais do arquiteto no que concerne registro, exercício profissional e contratos de construção.

4.3.      Habilidade

  • Capacidade de trabalhar em colaboração com outros arquitetos e membros de equipes interdisciplinares.
  • Capacidade de agir e de comunicar ideias através da colaboração, falando, calculando, escrevendo, desenhando, modelando e avaliando.
  • Capacidade de utilizar habilidades manuais, eletrônicas, gráficas e de modelagem para explorar, desenvolver, definir e comunicar uma proposta de projeto.
  • Compreensão dos sistemas de avaliação, que utilizam meios manuais e / ou eletrônicos para as avaliações de desempenho dos ambientes construídos.
  1. Que os indicadores quantitativos necessários são os seguintes:

5.1.      A aquisição equilibrada dos conhecimentos e capacitações citados nas Seções II.3 e II.4 requer um período não inferior a cinco anos de estudos em tempo integral em um programa de estudos acreditado em universidade ou instituição equivalente.

5.2.      Além dos cinco anos de estudo, aos graduados em arquitetura será exigido concluir ao menos dois anos (ainda que o recomendável seja três) de experiência prática/treinamento/estágio, antes do registro/licença/certificação para a prática como um profissional arquiteto. Com alguma flexibilidade para fins de equivalência, é aceitável que desse total, um ano de prática possa ser obtido antes da conclusão dos estudos acadêmicos.

III. Condições e requisitos de uma escola credenciada

A fim de atingir os Objetivos acima mencionados, as seguintes condições e requisitos devem ser levados em conta:

  1. As escolas de arquitetura devem ser equipadas adequadamente com estúdios, laboratórios, instalações para pesquisa, estudos avançados, bibliotecas e instalações para intercâmbio de informação sobre novas tecnologias.
  2. Que a fim de promover um entendimento comum e elevar o nível de formação do arquiteto, a criação de uma rede global, para a intercâmbio de informações, professores e alunos seniores é tão necessária quanto a rede regional para promover uma compreensão de diversos climas, materiais, práticas culturais e locais. O uso de examinadores externos é um método reconhecido para atingir e manter padrões equivalentes aos níveis nacionais e globais.
  3. Que cada instituição de ensino deve ajustar o número de alunos de acordo com a sua capacidade de ensinar e a seleção dos candidatos deve estar em conformidade com as competências necessárias para uma formação bem sucedida em arquitetura, e isso será obtido através de processo de seleção adequado implementado na entrada de cada programa acadêmico.
  4. Que a relação professore/aluno deve refletir a metodologia de ensino de projeto em estúdio requerida para obter as competências acima, assim como o ensino no estúdio deve ser uma parte importante do processo de aprendizagem.
  5. Que o trabalho individual de projeto com o diálogo direto professor/aluno deve formar a base do período de aprendizagem; a interação contínua entre a prática e o ensino de arquitetura deve ser incentivada e protegida e o trabalho de concepção do projeto deve ser uma síntese dos conhecimentos adquiridos e das respectivas habilidades.
  6. Que o desenvolvimento de habilidades de desenho convencional ainda é uma exigência do programa de formação e a moderna tecnologia de informática e o desenvolvimento de softwares especializados tornam imperativo ensinar o uso de computadores em todos os aspectos da formação do arquiteto.
  7. Que a pesquisa e publicação devem ser consideradas como atividades inerentes aos educadores de arquitetura e devem abranger métodos aplicados e experiências no exercício profissional da arquitetura, na prática do projeto e nos métodos de construtivos, bem como nas disciplinas teóricas.
  8. Que os estabelecimentos de ensino devem criar sistemas de auto avaliação e avaliação por terceiros, realizadas em intervalos regulares, incluindo na comissão de avaliação equipes compostas, entre outros, por educadores experientes de outras escolas ou outros países e profissionais arquitetos não vinculados à academia ou participar do sistema de validação aprovado pela UNESCO-UIA ou de um sistema reconhecido equivalente.
  9. Que a educação deve ser formalizada através da demonstração individual das capacidades adquiridas, ao final do programa de estudos, sendo a parte principal constituída pela apresentação de um projeto arquitetônico demonstrando os conhecimentos adquiridos e as competências([20]) correlatas. Para este fim, as bancas devem ser constituídos por uma equipe interdisciplinar, incluindo examinadores externos à escola, que podem ser profissionais ou acadêmicos de outras escolas ou países, mas que devem ter experiência e conhecimento no processo de avaliação nesse nível.
  10. Que, a fim de beneficiar a grande variedade de métodos de ensino, incluindo o ensino à distância, são desejáveis programas de intercâmbio de professores e alunos de nível avançado. Projetos finais poderiam ser compartilhados entre as escolas de arquitetura como um meio de facilitar a comparação entre os resultados e auto avaliação dos estabelecimentos de ensino, através de um sistema de prêmios internacionais, exposições e publicações na internet.

IV. CONCLUSÃO

Esta Carta foi elaborada por iniciativa da UNESCO e da UIA, para ser aplicada internacionalmente para a formação do arquiteto e precisa da garantia de proteção, de desenvolvimento e ação urgente.

A Carta constitui uma estrutura que proporciona direção e orientação aos alunos e professores de todas as instituições envolvidas na formação e na prática da arquitetura e urbanismo. É concebida como um “documento dinâmico” que será regularmente revisado, tendo assim em conta as novas orientações, exigências e desenvolvimentos na prática da profissão, bem como nos sistemas educacionais.

Além de todos os aspectos estéticos, técnicos e financeiros, das responsabilidades profissionais, as principais preocupações, expressas pela Carta, são relacionadas com o compromisso social da profissão, ou seja, a consciência do papel e da responsabilidade do arquiteto em sua respectiva sociedade, bem como a melhoria da qualidade de vida através de assentamentos humanos sustentáveis.

A Carta UNESCO-UIA inicialmente escrita em 1996 foi elaborada por um grupo de dez especialistas, coordenada por Fernando Ramos Galino (Espanha), e incluindo: Lakhman Alwis (Sri Lanka), Balkrishna Doshi (Índia), Alexandre Koudryavtsev (Rússia), Jean -Pierre Elog Mbassi (Benin), Xavier Cortes Rocha (México), Ashraf Salama (Egito), Roland Schweitzer (França), Roberto Segre (Brasil), Vladimir Slapeta (República Checa), Paul Virilio (França).

Esse texto foi revisado em 2004/2005 pelo Comitê de Validação de Educação Arquitetônica UNESCO-UIA, em colaboração com a Comissão de Educação da UIA. Os autores dessa revisão foram: Jaime Lerner (Brasil), representando UIA e Wolf Tochtermann (Alemanha), representando a UNESCO, co-presidentes, Fernando Ramos Galino (Espanha), repórter de Geral, Brigitte Colin (França), representando a UNESCO, Jean-Claude Riguet (França), UIA Secretário Geral e os seguintes membros regionais: Ambrose A. Adebayo (África do Sul), Louise Cox (Austrália), Nobuaki Furuya (Japão), Sara Maria Giraldo Mejia (Colômbia), Paul Hyett (Reino Unido) , Alexandre Koudryavtsev (Rússia), Said Mouliné (Marrocos), Alexandru Sandu (Romênia), James Scheeler (EUA), Roland Schweitzer (França), Zakia Shafie (Egito), Vladimir Slapeta (República Checa), Alain Viaro (Suíça), Enrique Vivanco Riofrio (Equador).

 

 

Esse texto foi revisado em 2008-2011 pela Comissão Educação da UIA. Os autores dessa revisão são:
Louise Cox (Austrália), Presidente da UIA, Fernando Ramos Galino (Espanha) e Sungjung Chough (R. da Coreia), co-diretores da Comissão Ensino da UIA, Wolf Tochtermann (Alemanha), Co-Presidente Conselho de Validação de educação arquitetônica da UNESCO-UIA representando UNESCO, Roland Schweitzer (França), Alain Viaro (Suíça) Alexandre Koudryavtsev (Rússia), Vladimir Slapeta (República Checa), Patricia Mora Morales (Costa Rica), Kate Schwennsen (EUA), Nobuaki Furuya (Japão), Rodney Harber (África do Sul), Zakia Shafie (Egito), em colaboração com os seguintes membros dos Grupos de Reflexão da Educação UIA Comissão: Jörg Joppien (Alemanha), Giorgio Cirilli (Itália), Nana Kutateladze (Georgia), James Scheeler (EUA), Hector Garcia Escorza (México), George Kunihiro (Japão), Magda Mostafa (Egito), Seif A. Alnaga (Egito).

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Comentários sobre a tradução([1])

Durante anos, nos fixamos na ideia de que a formação do arquiteto baseia-se na aquisição de conhecimentos e desenvolvimento de habilidades e competências. Habilidades e competências que não são dons, dádivas concedidas pela graça divina a alguns indivíduos. Elas podem ser desenvolvidas e aprimoradas na enorme maioria dos indivíduos. Na língua inglesa existe o vocábulo que traduz essa ideia “skills – learned power of doing something competently” – capacidade aprendida de fazer algo com competência

Esse conceito nos guiou por 30 anos na educação de arquitetos. Na presente tradução sofremos uma forte tentação de reduzir seus termos a esse trinômio – aquisição de conhecimentos e desenvolvimento de habilidades e competências. Mas isso seria criar outro documento.

A Carta da Unesco/UIA tem um texto muitas vezes “trick”. Foi pensado em uma língua e traduzido para outra ou foi pensado em muitas línguas? Às vezes, na nossa percepção, o texto em francês difere sutilmente em sentido do texto em inglês. O texto em francês parece muitas vezes mais fácil de levar para nossa língua, mas em um ou outro momento, parece que perde uma precisão típica da objetividade da língua inglesa.

Em vários trechos, parece haver uma liberdade de traduzir que vai além do contexto: “understanding” é “comprendre” e depois vira “connaissance”. Para nós, há diferença entre compreensão e conhecimento. Algumas dessas questões, as mais gritantes, que podem ter outro entendimento, estão apontadas em notas de rodapé.

O objetivo da tradução é apenas tornar acessível, num momento em que a formação é duramente questionada, um documento de referência, importante e caro a todos nós.

 


[1]           Documento Traduzido por Luiz Augusto Contier, tendo por base os documentos em inglês “UNESCO/UIA Charter For Architectural Education” e em francês “Charte UIA / UNESCO de la Formation des Architectes”. Nas notas seguintes, En refere-se ao texto original no documento em inglês e Fr refere-se ao texto original no documento em francês.

[2]           En: community development; Fr: développement communautaire

[3]           Fr: Que les méthodes de formation et d’apprentissage; En: That methods of education and training

[4]           Métodos de entrega de projeto (project delivery) traduzido literalmente para o francês, é um conceito parte da cultura profissional norte americana. Refere-se ao que entre nós, é conhecido como “entregáveis”, ou seja, está ligado ao contrato e refere-se aos produtos das diversas etapas de trabalho.

[5]           Fr: établissant des critères; En: by establishing capabilities

[6]           Fr:…garantissant que les titulaires de telles qualifications ont bien reçu et continuent à maintenir le type de formation demandée dans cette Charte.; En: …guaranteeing that holders of such qualifications have received and continue to maintain the kind of education and training called for in this Charter.

[7]           Fr: une qualité de vie décente pour tous les habitants du monde; En: inhabitants of human settlements. Foi mantida a versão literal do inglês porque entendemos que traz uma inferência à moradia em núcleos organizados com características urbanas, o que se perde no francês.

[8]           Fr: le développement durable; En: sustentability

[9]           Declaração Universal da UNESCO sobre a Diversidade Cultural – Texto disponível nas línguas oficiais da Unesco: inglês, russo, espanhol, francês, chinês e árabe.
http://unesdoc.unesco.org/images/0012/001271/127160m.pdf

[10]         Em inglês, o termo utilizado é skills – learned power of doing something competently – capacidade aprendida de fazer algo com competência.

[11]         Fr: Faculté de comprendre; En:understanding

[12]         Fr: Connaissance; En: Understanding

[13]         Fr: connaissance solide; En: comprehensive understanding

[14]         Idem nota 4

[15]         Fr: Formation en techniques de recherche; En: Training in research

[16]         Fr: Conception; En: Design

[17]         Fr: fonctionnement fondamental des modes de construction dans le domaine de la construction et des industries de développement; En: fundamental workings of the construction and development  industries

[18]         Fr: gestion des équipements; En:facilities management

[19]         Fr: Connaissance; En: Understanding

[20]         Fr: qui démontre les connaissances acquises et les compétences concomitantes; En: demonstrating the acquired knowledge and concomitant skills

 

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