PROJETO NOVOS OLHARES JAN-FEV/2021 1/6

Acoplamentos Arquitetônicos e a Ressignificação da Paisagem Construída

Universidade Presbiteriana Mackenzie – São Paulo/SP

A paisagem urbana, um palimpsesto, nos mostra o que restou de outros tempos, passados presentes como possibilidade de retorno de certas estruturas. Esse “resto” como oportunidade de se recontar a própria história, para que a ela permaneça aberta; de se pensar o futuro urbano a partir do passado.

Em um território privado (Comgás) a cidade se infiltra, conexões subterrânea e aérea permitem a coexistência entre público e privado. Como uma montagem de elementos, dois balões, dois centros, dois hélios Hélio(ex)centricidades conectadas e disjuntas

O destino de estruturas ociosas que tiveram suas funções originais expropriadas ou interrompidas por superações sociais, históricas ou econômico-produtivas, é também uma forma de se debater o valor patrimonial nas cidades. A ressignificação da paisagem construída pode se dar, dentre outras maneiras, por acoplamentos arquitetônicos, abrindo novos significados e apropriações a essas estruturas. Pela possibilidade de se explorar o múltiplo, o desarmônico e associações inusitadas, surge a ideia de montagem, conceituada pelo jogo surrealista “Cadavre Exquis” e explorada como o agenciamento entre diferentes elementos, sendo um e outro ao mesmo tempo, antigo e novo, conformando um todo disjuntivo.
De forma excêntrica, Rio Tamanduateí, Parque D. Pedro II, estação abandonada D. Pedro II e balões de armazenamento de gás do antigo Complexo do Gasômetro de São Paulo retornam como repetições de si mesmos, porém de forma particular. Um trabalho essencialmente de conexões, em que não se busca uma nova estrutura como solução
única, mas a articulação de elementos como exploração urbana. Conexões subterrânea e aérea permitem a coexistência entre público e privado. Como uma montagem, dois balões, dois centros, dois hélios_ Hélio(ex)centricidades conectadas e disjuntas.

Conexão com o rio pelo caminho d’água, um espaço sinestésico, um eixo criado que corta de forma perpendicular a estação abandonada; surge o “cadavre exquis” Rio Tamanduateí-estação abandonada-depósito de arte. Água que nasce do subsolo do balão maior e percorre esse eixo sendo devolvida ao rio.

 

De forma lúdica, um caminho sobre uma lâmina d’água dentro de uma estrutura inflável, remetendo à materialidade dos antigos balões de armazenamento de gás. É o principal acesso ao balão, um “túnel-placenta”, uma conexão imersiva que prepara o visitante para a chegada ao balão-depósito.

 

A transparência parcial da casca externa estampa a antiga estrutura existente, mas já de outra forma, como suporte de uma outra estrutura. As auto projeções trazem imagens, cores e luz ao entorno. A presença dessa casca iluminada nos leva a novas relações com o território.

A cobertura transportável inflável remete, por sua materialidade e movimento de “respiração”, aos balões de de gás do antigo complexo. Uma arena, ora descoberta, ora coberta estampa a estrutura existente. Plataformas móveis hidráulicas possibilitam diferentes composições de palcos e plateias.

 

Autora:

Natalie Rachid Baptista

Orientação:

Igor Guatelli, Lucas Fehr

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