PROJETO NOVOS OLHARES DEZ/2020 3/5

Se Essa Casa fosse Minha: Abrigo Institucional para Crianças e Adolescentes

Faculdade de Arquitetura e Urbanismo / UFRJ – Rio de Janeiro/RJ

Este trabalho se propõe a pensar espaços de moradia digna, que favoreçam o processo socioeducativo de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, e a romper com a lógica atual dos locais destinados aos serviços de acolhimento no país.

No alto do Outeiro da Glória, a implantação em um terreno tão acidentado era um desafio a parte. O projeto é trabalhado em níveis escalonados, para tentar minimizar os impactos na escala da criança, aproveitando de áreas cobertas fechadas, abertas, além das áreas descobertas e terraços.

No Brasil, o serviço de acolhimento a crianças e adolescentes se transformou muito ao longo do tempo, sobretudo a partir da promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente (1990), quando o acolhimento começou a ser entendido como medida protetiva de caráter temporário e excepcional. O caráter efêmero desses espaços aparentemente se transforma em justificativa para que sejam improvisados e sem qualidade. Este projeto se desenvolveu com o intuito de enfrentar e transformar essa realidade. O projeto foi proposto para um terreno no alto do Outeiro da Glória, na área central do município do Rio de Janeiro – município este que possui a maior rede de abrigos do Estado e o maior percentual da população infanto-juvenil acolhida. A definição do bairro da Glória para o equipamento foi sendo consolidada com os estudos do entorno, ainda que o terreno apresentasse muitos desafios, em especial a sua topografia muito acidentada. Este trabalho tem como objetivo, portanto, entender as políticas de atendimento às crianças em situação de risco e vulnerabilidade social e propor um projeto arquitetônico de moradia digna, com espaços de troca e fortalecimento da convivência comunitária, de forma que, junto com uma gestão organizada das políticas públicas, possa assumir também uma função terapêutica.

O terreno inclinado possibilitou explorar as vistas deslumbrantes do alto do morro, para a Cidade Maravilhosa. E para dar conta de conectar os diversos níveis, foram propostas várias possibilidades de circulação vertical, internas e externas, com rampas, escadas e elevadores.

 

O escalonamento do edifício gerou vários terraços que foram utilizados como áreas de recreação descobertas, hortas, mirante, etc. À esses espaços foi incorporada a vegetação, de forma a assentar o edifício no terreno e na paisagem, além de aproximar ainda mais a natureza ao dia-a-dia das crianças.

 

Os quartos estão localizados na parte alta do terreno, mais restrita, ao redor de um jardim central. Os ambientes recreativos, além da administração do abrigo, foram posicionados mais próximos ao acesso principal, na parte inferior do lote, facilitando a dinâmica de visitas e segurança das crianças.

 

Com ênfase nas possibilidades de circulação vertical entre os volumes, a perspectiva explodida também mostra a setorização do equipamento e a maneira como o programa de necessidades foi explorado a partir dos dois acessos ao terreno.

Autora:

Bárbara Mansur Sarmet Moreira Smiderle

Orientação:

Ubiratan da Silva Ribeiro de Souza, Marília Ramalho Fontenelle, Alberto Britto Sanches Fernandes

Share Button