PROJETO NOVOS OLHARES NOV/2020 14/15

Um ensaio sobre a cidade: viver em tempos paralelos

Universidade Presbiteriana Mackenzie, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – São Paulo/SP

Através de inquietações acerca do tempo e espaço se teceu este ensaio sobre três largos no centro da cidade de São Paulo. Busca-se a criação de dispositivos que ativem espaços esquecidos ou simplesmente não vistos na cidade, sendo mediadores entre a urbe e seus habitantes, entre o sólido e o vazio.

Diagrama conceitual de identificação dos largos como local de atuação e como possibilidade de proposição em rede. Ao lado, espaços vazios identificados. Abaixo, vista da rua São Bento com as três ações propostas, nos respectivos largos: Largo São Francisco, Largo do Café e Largo São Bento.

Pensar o vazio como agente estruturador parece essencial em cidades que se transformaram tão rapidamente em grandes metrópoles, como a cidade de São Paulo. Os vazios podem abrigar dinâmicas de fluxos impostas e geradas pelos sólidos, que por vezes são construídos sem considerar esses espaços.

Identificando os largos como pontos de convergência em que o vazio está incluído e reconhecendo estes como geradores de possibilidades, as ações aqui propostas se constroem em três tempos, três largos. Busca-se fazer desses espaços pontos de sentido através da ressignificação dos limites do espaço público.

Uma membrana permeável retrátil recobre toda a fachada, permitindo entrada de luz e ventilação e colocando-se como superfície para projeções. A fachada se apresenta como uma lanterna urbana, estimulando o uso do espaço público em diferentes horários e configurando uma nova atmosfera para o lugar.

No tempo 1, propõe-se a adição de estruturas que se acoplam em duas empenas, configurando ora módulos de acesso ao público, ora varandas para os usuários dos edifícios, enquanto no térreo uma praça seca se coloca como extensão da Rua São Bento. No tempo 2, a proposta de uma praça elevada em uma cobertura gera uma nova cota publica, uma ampliação do Largo do Café. Acima dela, plataformas mecânicas configuram diferentes níveis, criando ambientes efêmeros. No tempo 3, propõe-se volumes translúcidos que se movem configurando diversos espaços, interagindo com o painel pintado por Maurício Nogueira Lima. Ressignificando, assim, não somente o painel, mas também o espaço público.

Os módulos metálicos e as varandas se estruturam a partir de pilares independentes e apoios na estrutura dos edifícios pré-existentes. Os volumes metálicos suspensos do chão abrigam uma praça seca que se configura como extensão da Rua São Bento e, consequentemente uma ampliação do espaço público.

Dois acessos marcam as ruas da esquina, se colocando como menires em meio a paisagem da rua São Bento. Elas levam à praça pública que também se modifica de acordo com a posição das plataformas e ao mirante. A possibilidade de transformação do espaço estabelece vínculos com a paisagem cambiante.

Os volumes transparentes podem ser fechados quando necessário e abertos quando conveniente. Quando conectados, configuram um espaço para apresentações ou espetáculos, uma espécie de teatro urbano, podendo abrigar acontecimentos maiores, potencializando o espaço público.

Autor:

Giovanna Custódio

Orientação:

Angelo Cecco Júnior, Daniel Corsi

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