PROJETO NOVOS OLHARES NOV/2020 11/15

Reestruturação da Oficina Pagu

Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP -São Paulo/SP

O projeto combina uma nova sede à Oficina Pagu e suporte aos equipamentos culturais e eventos realizados no Centro de Santos, formando assim uma centralidade num contexto hoje relativamente ativo em termos culturais, porém disperso, sem um ponto referencial e acolhedor para a população.

O volume principal está recuado tanto em relação ao armazém vizinho, tombado, quanto em relação à rua a fim de respeitar o entorno e diminuir o impacto de uma nova construção nesse contexto. Aproveitou-se esse recuo para criar um espaço que convida o público ao projeto.

Localizado no limite de duas regiões, centro histórico e região portuária, o projeto busca se conectar a ambos. A ligação com o Centro se dá principalmente por seu programa voltado à cultura e, com a região portuária, pela referência da escala de seus galpões e armazéns, a materialidade dos containers e o movimento das águas e do vento. Concebida como um espaço centralizador e de referência no contexto cultural do Centro da cidade, o programa da nova sede da Oficina Pagu é composto por espaços que funcionam tanto para a apresentação de tudo que for criado nos cursos, quanto para atender as necessidades de outros projetos, eventos, festivais e até mesmo de artistas locais que precisem de um espaço. São espaços de exposição, de apresentação e salas com infraestrutura para diferentes tipos de cursos e atividades. Esses espaços foram alocados de modo que fosse criado um gradiente de privacidade no programa, levando em consideração fluxo de pessoas e potencial de gerar ruídos. A concepção do projeto partiu principalmente da relação com os edifícios vizinhos e com o número de acessos do terreno. A fim de criar um espaço de passagem e, ao mesmo tempo, de estar, foi concebido um volume suspenso para criar uma maior permeabilidade na área e criar eixos de visão entre as 3 vias do entorno.

A segunda pele presente nas fachadas norte, leste e oeste possui desenho que remete ao padrão de aberturas de portas e janelas encontradas nas construções residenciais do entorno. O mesmo conceito foi aplicado na criação da estrutura do palco.

 

Em meio a espaços de apresentação e exposição, o térreo também oferece espaços de estar e um caminho no interior da quadra ligando três ruas diferentes. O desenho do piso, assim como o espelho d’água, faz alusão ao mar existente a poucos metros dali, mas inacessível por conta de armazéns do porto.

 

A rampa cria, ao longo de seu percurso, eixos de visão para todas as regiões do projeto. Conta ainda com um amplo patamar de onde é possível ver o palco e seu telão, que fazem referência ao antigo uso do edifício vizinho. Hoje Poupatempo, ali já funcionou um dos primeiros cinemas da cidade.

Criou-se uma abertura no interior da quadra a fim de melhorar a iluminação e ventilação e também criar eixos de visão dentro do próprio edifício. Nas extremidades desse pátio interno estão os dois eixos verticais do projeto, um de rampa e outro de escada e elevador.

Autor:

Douglas Mendes Nascimento


Orientação:

Núbia Bernardi

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