PROJETO NOVOS OLHARES NOV/2020 7/15

PARALELO 22

Faculdade de Arquitetura e Urbanismo / UFRJ – Rio de Janeiro/RJ

Um projeto bruto que já nasce com caráter de ruína, uma parte de uma linha, incompleto. Não é uma experiência definitiva e arrumada. Depende das relações vivas entre os que estão. Que tenta fazer pensar e refletir. Um projeto melancólico, que busca uma percepção aguda do mundo.

Um lugar de encontros. Uma arena, do prazer e de disputas, da solidão e aglomeração. Encontro do imaginário com o real. Duas margens: onde antes se via apenas o mar e o horizonte, agora se enxerga o outro lado e as outras pessoas. A água se torna o centro. O espaço de reunião.

 

Linhas imaginárias cortam o mundo. Tornam reais conceitos e delimitam territórios, nações e países. Acolhem e separam o ser humano contemporâneo. Métrica que define até mesmo o tempo. Quando no mundo, procuramos essas linhas.
O projeto surge a partir de uma dessas linhas, o paralelo 22°58’08”S. Marcar essa linha na areia e nos posicionar perante o mundo.

Uma linha de 550m de extensão que corta as areias de Copacabana e invade o mar em três trechos:
O primeiro, um teto estreito e longo de 11x200m, gera uma sombra que faz um controle da escala monumental da praia. Um abrigo, funciona como suporte às atividades diárias e qualquer transeunte por ali.

Um teto de 200 metros de comprimento gera uma sombra estreita e baixa que faz um controle da escala monumental da praia. Um abrigo, funciona como suporte às atividades diárias e qualquer transeunte por ali. Uma varanda pública nas areias de Copacabana.


O segundo, um piso de 8x250m, se estende em direção ao mar, possibilitando o estável em meio ao mutável. O peregrino que ali caminha, permite-se descobrir uma outra cidade, outros sons e sentidos

Corte: Escavando as areias da praia, encontramos as rochas e sedimentos da artificialidade dessa praia. Escavamos e deixamos entrar a água do mar. Uma piscina que aparece nas areias e entra por baixo do Paralelo, de águas tranquilas, protegida pelas mesmas pedras que antes sustentavam a areia.


O terceiro, baixamos ao nível do mar, a uma plataforma flutuante. Em 100m, sentimos como se pudéssemos andar sobre a água. Permite-nos descobrir um novo território

Por baixo do paralelo está o espaço mais reservado do projeto. Onde, escuro e sombrio, a luz dramática que entra se torna sublime e sagrada. Uma experiência de isolamento em meio à multidões. Um estado de silêncio que todos nós perseguimos.


Em uma segunda ação do projeto, escavando as areias, encontramos as rochas e sedimentos da artificialidade dessa praia. Deixamos entrar a água do mar Reaproximamos da cidade a água que ali já esteve. Junto a essa piscina, o espaço mais reservado do projeto. O mar se expande para dentro.

Uma piscina no meio do mar. Sentimos como se pudéssemos andar sobre a água. Transformando o ambiente que antes poderia ser hostil, silencioso e desconhecido em confortável e de todos. Saímos da cidade e olhamos para ela de fora. Um novo território para o ser humano, em uma experiência singular.

Autor:

Caio Guaraná Tavares Cavalcanti

Orientação:

Diego Portas, Marina Correia

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