PROJETO NOVOS OLHARES NOV/2020 5/15

Entre trilhos e águas: um parque urbano em Moreno

Universidade Federal de Pernambuco – Recife/PE

O potencial do eixo conformado pela ferrovia desativada e pelas margens do Rio Jaboatão é explorado como norteador para a requalificação urbano-paisagística, propondo-se novos espaços livres públicos, inseridos numa perspectiva sistêmica, e a conservação dos valores naturais e culturais do lugar.

Rede de conexões estruturada a partir da espinha dorsal da proposta: as conexões urbanas abrangem os espaços livres públicos existentes e potenciais, as centralidades e os equipamentos urbanos; as conexões ambientais, por sua vez, os cursos d’água, suas margens e as massas vegetais.

A problemática relacionada à ociosidade e à degradação do leito da antiga Estrada de Ferro Central de Pernambuco e das margens do Rio Jaboatão, inseridos no coração da cidade de Moreno (PE), contrapõe-se às potencialidades identificadas nesse eixo contínuo e de localização estratégica no meio urbano, instigando o seu estudo.
O aprofundado diagnóstico da área, segundo a noção de unidade de paisagem, e das relações sistêmicas da cidade, além da ausculta da população local, embasaram a proposta. A intervenção urbano-paisagística ao longo do referido eixo propõe a conformação de espaços livres públicos de lazer, recreação e circulação por meio de modais ativos, respeitando as características de cada trecho, e a estruturação de um sistema de espaços livres, através de uma rede de conexões.

Recorte para o detalhamento da proposta na área central da cidade: a transversalidade busca resgatar a relação de permeabilidade física e visual entre a região e as margens do Rio Jaboatão através de novos espaços públicos, incorporada à conectividade longitudinal do parque linear.

O projeto do parque linear, desenvolvido em escala macro, foi detalhado na área central, onde situam-se os principais marcos da cidade. Propõe-se o resgate da relação com a margem do rio, o reordenamento de ocupações irregulares, usos e dinâmicas existentes, sobretudo no pátio ferroviário, e a implantação de novas áreas de convívio e contemplação, operando uma ampla valorização do espaço público que visa à conservação urbana a partir do resgate e manutenção dos valores naturais e culturais do lugar.”

O tratamento do piso, o mobiliário e a vegetação indicados para a esplanada entre a antiga estação ferroviária e o mercado público valorizam ambas edificações e incitam sua relação com o espaço público, demandando o reordenamento do estacionamento e de ocupações irregulares, relocadas no entorno.

 

A relação entre a estação ferroviária e o rio é recuperada por esta abertura de acesso público. Propõe-se a permanência dos trilhos ao longo do parque linear, permitindo a leitura do uso original do espaço, e indica-se a necessidade de ações de conservação e atribuição de uso ao edifício da estação.

 

A definição da localização e do porte das aberturas para o rio partiu de uma análise criteriosa da massa edificada. Além de permitirem a fruição da proximidade física com o rio, evocam a conservação dos valores do lugar e buscam atender à grande demanda existente por espaços livres públicos.

 

Autor:

Talys Napoleão Medeiros

Orientação:

Joelmir Marques da Silva, Onilda Gomes Bezerra

Share Button