PROJETO NOVOS OLHARES NOV/2020 3/15

Balneário da Foz: ensaio de arquitetura e urbanismo para o encontro dos rios Tietê e Tamanduateí

Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo – São Paulo/SP

Esta proposta de longo prazo é um ensaio de futuro para construir o lugar de encontro entre os rios Tietê e Tamanduateí. Buscou-se ressignificar as margens fluviais, de forma a afirmar sua presença na vida urbana de São Paulo e incrementar o sistema de espaços públicos da cidade junto aos rios.

O alagado construído (wetland) seria um novo pólo de lazer, recreação e esporte para a cidade. Se pensados de forma conjunta, infraestrutura e espaço público podem se afirmar mutuamente, numa relação em que a infraestrutura passa a ter relevância social e cultural para a cidade

Como integrar as margens dos rios de São Paulo ao sistema de espaços livres da cidade? Os balneários municipais, ou complexos de piscinas públicas, são um interessante instrumento de reestruturação de frentes fluviais, seja por seu potencial de composição paisagística com os rios, seja por seu caráter fortemente igualitário e democrático. A escolha de implantar um equipamento desta tipologia no encontro dos rios Tietê e Tamanduateí, ponto marcante da hidrografia de São Paulo, busca afirmar um novo olhar sobre suas margens. Hoje ocupados por pistas de alta velocidade e taludes de concreto, esta área passaria a ser, nas palavras de Paulo Mendes da Rocha ao falar sobre sua Piscina na Praça da República, um “lugar de festa”.

O alagado construído foi arquitetonicamente abordado por meio de duas ações. Primeiro, imaginou-se um percurso, um passeio, de 30 minutos a pé ao redor da água. Ao longo desse giro, distribuiu-se uma série de espaços livres e equipamentos públicos (dentre os quais o Balneário da Foz)

Se as outras frentes do alagado são compostas por espaços livres, o Balneário da Foz configura uma “fachada arquitetônica”. O equipamento se desenvolve ao longo de uma passarela elevada de 500 metros de extensão, que é o último trecho do percurso de 30 minutos ao redor da água

A análise urbanística do lugar sugere, ainda, a possibilidade de uma intervenção mais abrangente. A proximidade ao centro da cidade e a boa oferta de transporte público contrastam com a baixa densidade habitacional e a ocupação por galpões e armazéns. Tal potencial de transformação é a base para a proposta de implantação de um alagado construído. Trata-se de um dispositivo hídrico de impacto positivo no combate às inundações e ilhas de calor da cidade. Ao ser circundado por equipamentos públicos e espaços livres, torna-se um pólo de lazer, esporte e recreação.

A passarela elevada passa por entre as piscinas de lazer (acima) e de esportes (abaixo), atravessando o equipamento longitudinalmente. Ao longo da travessia, três pontos de alargamento da laje da passarela funcionam como praças e largos de uma rua urbana, ocupados por quiosques e cafés.

A partir do café do Balneário, contempla-se a piscina de lazer externa e a nova paisagem fluvial. Pela transversalidade entre arquitetura, paisagismo e urbanismo, buscou-se reimaginar as margens dos rios Tietê e Tamanduateí como espaços públicos intrinsecamente vinculados às suas águas.

Autora:

Victoria Imasaki Afonso

Orientação:

Luis Antônio Jorge

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