PROJETO NOVOS OLHARES SET/2020 1/3

Da luz à luz – Nova Biblioteca para o Instituto Benjamin Constant

Universidade Federal do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro/RJ

‘’Já há algum tempo vinha me preocupando com a predileção a favor da visão e em detrimento dos demais sentidos no modo como a arquitetura era concebida, ensinada e criticada, bem como o consequente desaparecimento das características sensoriais e sensuais nas artes e na arquitetura.”
Juhani Pallasmaa

O corredor dos sentidos – negro, com um fio de luz condutor, exercício de aromas, com poemas de escritores que experimentaram a cegueira, como Jorge Luis Borges, projetados às paredes, música que se intensifica à medida que se aproximam as caixas de luz, também de compositores, que como os poetas, perderam a visão, como Handel e Bach ao final de suas vidas, e o tato, como piloto

 

O projeto localiza-se no Instituto Benjamin Constant, à Av. Pasteur, frontal ao Iate Clube, Urca, tendo como vizinhos a UNIRIO, o Campus da UFRJ, a CPRM – MME/MCT, e a comunidade de seus ex-funcionários, na encosta do Morro da Babilônia. O prédio atual, tombado em 2001, data de 1872/90, com alterações em 1937/44. O IBC é o centro de excelência na área de educação a deficientes visuais, e o projeto reestrutura uma de suas áreas-chave, a biblioteca, hoje com acervo distribuído em espaços inadequados, atendendo a públicos interno e externo, necessitando área para abrigar novas tecnologias e usos, espaços de convívio, eventos e novo auditório.

A arquitetura subterrânea proposta reflete o conceito principal – uma arquitetura dos sentidos, percebida e sentida aos poucos, exercitando a audição, o tato, o olfato, o paladar e, principalmente, a visão. Um conjunto de caixas articuladas, em diferentes graus de translucidez, estruturadas por corredor conector dos acessos, do novo auditório, dos espaços aterraçados e da grande caixa que abriga o corpo central da biblioteca. O conjunto repousa como se fosse espectador de uma experiência arqueológica, vislumbrando as fundações do edifício existente, separadas por corredores de luz, a luz que é o elemento estruturante e determinante do projeto. Os acessos, três, reforçam a experiência sensorial – sempre a conexão, da luz externa à luz interna, à luz do conhecimento – a biblioteca.

 

Marco para o público externo, apresenta-se como um cilindro de vidro, transparente em cima para permitir a visão da arquitetura circundante e mais opaco ao chegar ao chão, penetrando no subsolo acessando o corredor dos sentidos

 

A cobertura do espaço principal, metáfora dos sentidos, possui um jardim sensorial, aromático e comestível em algumas de suas espécies, dispostas em canteiros sobre gramado, canteiros estes, circulares, formando em Braille a palavra “biblioteca”. Em alguns destes, tubos de vidro perfuram o espaço do teto ao solo, levando a luz ao interior dos espaços de uso e leitura. A luz real para a luz do conhecimento

 

Link para vídeo do projeto:

Autora:

Alyne Bell

Orientação:

Alberto Fernandes

Share Button