PROJETO NOVOS OLHARES 2/9

POÉTICA DA RUÍNA:
Intervenção na Igreja de São Pedro

Universidade Federal do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro/RJ

A intervenção na Igreja de São Pedro, hoje sem uso pelo seu estado de arruinamento, visa preservá-la como parte da memória coletiva do bairro do Encantado, no subúrbio carioca.

A construção nova é literal e simbolicamente afastada da ruína, no térreo se descola literalmente a fim de explorar o potencial de passeio e apreciação da fachada onde há o completamento da forma antiga, onde fica mais clara a relação entre materialidade nova x antiga, dando maior visibilidade à esse encontro de materiais. No edifício, o afastamento é simbólico num vazio onde todos os materiais se tocam, marcado pela desmaterialização dada pelo vidro, se torna o principal elo de encontro novo x antigo. A visibilidade que todos os andares recebem torna este ainda um edifício vivo, onde se pode observar o transitar das pessoas nas suas atividades.

 

O projeto considera a gestão por agentes culturais comunitários, uma vez que já existe uma nova igreja. Reconhecendo-se o lugar como ruína, a intervenção contemporânea valoriza sua antiguidade, inserindo-se como diferenciação consonante, pela escolha dos materiais e pela preservação da harmonia entre o antigo e o novo. O anexo respeita a altura do corpo da igreja, mantendo o destaque da torre como marco da paisagem; a transição entre os tempos se dá através de zona de “toque” aberta e leve. Reabilitada como teatro, a ruína é ressignificada como espaço de comunhão e para usos públicos: cursos livres, biblioteca/midiateca Cruz e Souza, homenageando o poeta que viveu no bairro, além de exposições e apropriações artísticas, reforçando o amplo patrimônio cultural do bairro.

A cobertura retrátil do teatro faz alusão ao espaço da ruína que se encontrava sem a cobertura original, portanto, se conectando com o céu, a intervenção arquitetônica buscou continuar essa possível conexão, estabelecendo assim uma relação poética e memorial com a ruína.

A parede da ruína onde há maior deterioração, se torna o lugar de explorar uma nova materialidade, completando a forma antiga, e também repensando a entrada de luz, de maneira que esta seja um elemento importante e fenomenológico, que entra de maneira rarefeita através de uma parede perfurada, como cobogós. O terraço pensado para valorizar a vista do bairro, também se torna o local de apreciação da relação novo x antigo estabelecida pelos diferentes e contrastantes materiais.

Autora:

Mariana Castro Silva

Mariana Castro Silva

Orientação:

Fabiola do Valle Zonno

Share Button